sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

CUT.Pa e bancários entregam documentos à presidenta Dilma denunciando péssimas condições de trabalho no BB, BASA e Banpará e reivindicando um olhar atento, ágil e efetivo para os problemas do povo do Pará.

A CUT.Pará entregou à presidenta Dilma hoje o documento mais abaixo, em que faz um apanhado de graves problemas porquem passam a classe trabalhadora e a população paraense. Destaca o documento  trabalho escravo, a paralisia no Programa Luz para Todos, o avanço do agronegócio e a urgente necessidade de se ter recursos para efetivar a reforma agrária e o combate à grilagem. E que o governo federal precisa ter um olhar especial para a Amazônia, o Pará e os amazônidas.

A Central destacou ainda que urge realizar uma conferência do Sistema Financeiro Nacional para debater o papel dos bancos para o desenvolvimento do Brasil e do povo brasileiro. E relacionou males que precisam ser atacados como a terceirização, a precarização do trabalho. E denunciou as péssimas condições de trabalho, diálogo com direções dos bancos como o Banco do Brasil, BASA e Banpará.

E enfatizou a situação de insegurança em que vive a população do Pará, com altos índices de violência.

CUT.Pa e delegação do Sindicato dos Bancários do Pará entregaram documentos à secretaria da Presidência da República e conversaram rapidamente  com a presidenta, minutos antes dela embarcar de volta de Castanhal.Pa para Brasília. Em Castanhal, a presidenta Dilma entregou 1.080 casas no residencial Jardim Ipês,  casas que integram o  Programa Minha Casa Minha Vida.

 A carta da CUT.Pa:

Castanhal(Pa, 1º de fevereiro de 2013.


Exma. Sra. Presidenta da República
DD. Dilma Rousseff


Senhora Presidenta,


Acolhendo-a hoje no Pará, temos a honra de cumprimentar V.Exa.  por mais uma leva de casas próprias do acertado Programa Minha casa Minha Vida, desta vez em Castanhal(Pa).  E aproveitamos a oportunidade para apresentar a pauta sindical da CUT em nosso Estado:

Na área dos grandes projetos como Belo Monte, por exemplo, campeia e está generalizada a terceirização, com precarização do trabalho, acidentes, adoecimento de toda natureza, danos à vida e ao meio ambiente  e quase nenhuma atuação/proteção de Estado, ficando os trabalhadores à mercê dos consórcios, quase sem nenhuma regulação, fiscalização e direitos!

Trabalho escravo - A par disso, o Pará que em 2011 havia deixado de ser o campeão permanente do ranking do trabalho escravo, em 2012 voltou ao topo do ranking em todos os critérios: número de casos (50), número de trabalhadores envolvidos (1244) e número de libertados (519). É necessário uma ação firme e contínua  do poder público em relação a essa triste e indigna estatística que fere a dignidade e os direitos humanos .

 Combate à grilagem - Também, urge ter mecanismos permanentes para combater a grilagem e a violência no campo que, ao longo dos últimos 20 anos, ceifou a vida de dezenas de trabalhadores rurais que defendem diretamente o direito de permanecer em sua terras, defender a preservação da Biodiversidade e o controle do clima no planeta.

Agronegócio x agricultura familiar - Ressaltamos que no Pará há um avanço desenfreado do agronegócio, colocando em risco a agricultura familiar, a produção familiar,  o direito à terra, à moradia e à vida  digna.

Reforma agrária - Mais que nunca, senhora presidenta, urge garantir recursos para a reforma agrária para a criação de novos assentamentos e a estruturação dos assentamentos já criados. Houve corte muito grande de recursos nessa política, quase inviabilizando a tímida reforma agrária já realizada.

Propomos ainda a abertura de editais de contratação para entidades de assistência técnica e extensão rural dentro e fora dos assentamentos para viabilizar a prestação desse serviço, possibilitando a qualificação dos agricultores/as familiares e, consequentemente, maior renda no campo. E que sejam ampliados os recursos para o Programa Nacional de Habitação Rural no Pará.

Paralisia no Luz para Todos - Sobre energia elétrica, informamos que o sistema elétrico referente à área de concessão da CELPA (Centrais Elétricas do Pará), recebeu generoso aporte de recursos públicos oriundos de programas do governo federal com a finalidade de universalizar os serviços como o LUZ PARA TODOS.  Todavia, é crítica a qualidade das obras executadas pela Celpa nos municípios dada as distâncias continentais do Pará e as dificuldades de infraestrutura em nossa região, associado à falta de mão de obra própria e qualificada, bem como há inúmeras reclamações do tempo de espera para restabelecimento do sistema, chegando em alguns casos a mais de 3 dias. A coordenação do programa no Pará não funciona e o programa está parado no momento, desde que o Grupo Rede apresentou pedido de recuperação judicial no início de 2012. Apontamos como emergencial a reativação do Programa Luz para Todos no Estado do Pará, buscando universalizar a eletrificação rural.
Na área da Educação, a CUT reafirma que é necessário que os 10% do PIB para educação seja de imediato e que não se espere até 2020 para chegar a esse percentual. E que a política educacional seja para o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras em educação.

Conferência do Sistema Financeiro já! – É urgente que se realize uma conferência nacional do Sistema Financeiro para discutir o papel dos bancos no país, o crédito e para que serve o sistema financeiro. E implementar urgente diálogo nos bancos como Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banpará, que têm péssimas condições e relações de trabalho !

Dirigentes do Sindicato dos Bancários, da FETEC-CN, da Contraf-CUT e da CUT.Pa na atividade de entrega de coumento à presidenta Dilma hoje em Castanhal.Pa. Fotos: Ticiane Rodrigues
Na área de segurança pública, o Pará contabiliza hoje um dos maiores e crescentes índices de violência contra jovens, crianças e mulheres, gerando insegurança às famílias e quase nenhuma ação de governo e de Estado no sentido de dar proteção, educação, ressocialização e principalmente recolocação dos reabilitados no mercado de trabalho.  Dos 144 municípios, em 28 não existe delegado de polícia e em 19, sequer existem delegacias. Estas, não têm condições mínimas de prestação de serviço e os profissionais são mal pagos. Há carência extrema de políticas públicas para inclusão de juventude, além de quase nenhum investimento em inteligência e qualificação de pessoal.

Quanto ao saneamento básico e ambiental, hoje os índices de abastecimento de água no estado estão em torno de 60%,  bem abaixo da média nacional que é 85% a 90. Já o Esgotamento Sanitário praticamente inexiste no Pará, com cobertura de apenas 5% concentrado na capital. Importante ressaltar que  143  municípios do Estado ainda não implementaram a nova lei de tratamento dos resíduos sólidos, correspondente a coleta, destinação e tratamento. Apesar dos vultosos recursos destinados pelo governo federal para o saneamento básico no Estado a população sofre com a falta da prestação do serviço. Há carência de investimentos, de fiscalização, de profissionais concursados e exagero de terceirização, principalmente nas atividades-fim.

Logística -E para que o Pará supere a condição de almoxarife e tenha condições de verticalização do aço com a construção da primeira siderúrgica de grande porte do Pará, a Alpa (Aços Laminados do Pará), é preciso que seja reincluída ao PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - uma obra crucial que está parada desde 2011. Trata-se do aprofundamento de um trecho do Rio Tocantins, perto de Itupiranga onde a passagem de grandes navios de carga é impossível atualmente.  Ali há um pedral, o Pedral do Lourenço, que precisa ser derrocado para garantir a navegabilidade do rio e a logística para o transporte hidroviário. Para que flua a navegação e melhore a condição de vida da população do Pará.

 Enfim, Exma. senhora Presidenta, a CUT.Pará e seus 152 sindicatos filiados, reivindicam do governo federal um tratamento  mais inclusivo, mais atento, mais ágil e respeitoso no atendimento aos muitos problemas do povo do Pará e da classe trabalhadora. A CUT.Pa construiu uma Plataforma de Ações de políticas Públicas com base nas necessidades e especificidades de cada região para serem dialogadas e implementadas nos municípios, porém, este diálogo precisa  acontecer e já! É preciso tirar do papel as ações e melhorar  as condições de vida e trabalho da população paraense, amazônida!
  

 Saudações democráticas,


Martinho Souza                                Vera Paoloni                                     Carlos Augusto Silva
Pte. CUT.Pará                                    Dir. Comunicação                           Pte. Fetagri.PA

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A carta-denúncia do Sindicato dos Bancários do Pa. sobre terríveis condições de trabalho no BB

A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Rosalina Amorim, juntamente com a diretora da Fetec-CN e CUT.Pa, Vera Paoloni e mais o presidente da CUT.Pa, Martinho Souza, entregaram hoje à presidenta Dilma o documento a seguir em que denuncia claramente o horror que tem vivido o funcionalismo do banco do Brasil.

Confira:  

A denúncia firme do Sindicato dos Bancários do Pará: o BB está massacrando seus funcionários.


Belém (PA), 1 de fevereiro de 2013.


A Excelentíssima Senhora
Dilma Rousself
Presidenta da República Federativa do Brasil
Palácio do Planalto
Brasília - DF
               
Assunto: Carta de repúdio à diretoria do Banco do Brasil.           
   
Senhora presidenta,
  
Excelentíssima Senhora Presidenta Dilma Rousseff, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Pará, busca expressar a preocupação com mudanças nas relações de trabalho ocorridas no Banco do Brasil com seus funcionários promovidas pela atual direção da instituição.
Frustra-nos informar-lhe que a atual direção do BB, formada em grande parte por funcionários de carreira, tem se encarregado de desconstruir não só as conquistas da campanha salarial de 2012, mas, principalmente, de ressuscitar práticas da administração pública neoliberal de governos passados.
   
           Reconhecemos a atuação de Vossa Excelência pela redução dos juros e spreads bancários, além do combate aos efeitos da crise financeira mundial com o direcionamento adequado dos bancos públicos para fortalecimento da economia nacional. Em parte, isso foi possível, devido à existência de instituições financeiras públicas, que foram duramente atacadas no processo de privatização dos anos 1990 e mantidas graças à mobilização dos trabalhadores, incluídos aí os funcionários do BB, que resistiram às demissões, ao arrocho e sucateamento, entre outras coisas. 

Em contrapartida, lamentavelmente, constatamos que as iniciativas da atual gestão do BB não são fiéis nem à sua própria campanha presidencial nem à discussão acumulada nos últimos anos, representando, na melhor das hipóteses, uma gestão burocrática que busca resultados de curto prazo de forma desastrosa e pouco sustentável, o que representa um retrocesso deliberado.

Em 2003, a esperança venceu o medo. Agora, porém, dirigentes do banco impõem o terror utilizando-se do expediente de perseguir e retaliar militantes sindicais e grevistas. Para isso alteraram normas, estabelecendo o cancelamento de férias, abonos, folgas, cursos para grevistas; obrigam os “administradores” a exigirem a compensação integral de horas, mesmo sem a necessidade da prestação do serviço, com humilhações e coação diária para assinarem “cartinhas”, não respeitando nem a condição de gestantes ou lactantes. Para coroar a obra, editaram um boletim interno, assinado por dois diretores, com a ameaça de instaurar processos administrativos.

Em 2012, o Banco do Brasil editou normas internas para facilitar a demissão por ato de gestão e o descomissionamento sem justificativa plausível, trazendo insegurança jurídica nas relações de trabalho e ampliando os prejuízos com demandas judiciais por danos morais. Chegando ao absurdo de descomissionar sem motivo autor de ação trabalhista e também o preposto do próprio banco.

Também em 2012, a diretoria do Banco do Brasil implementou, na cidade de Belém, um normativo que faz com que os caixas da empresa não saibam onde irão trabalhar no dia seguinte, fazendo com que os mesmos tenham que se deslocar diariamente e de forma urgente, inclusive a locais muito distantes de onde residem, caso não queirão perder sua função. Prejudicando demasiadamente as atividades do cotidiano desses trabalhadores, sobretudo, as atividades como estudos e o convívio familiar.

Assim, o ano de 2012 será lembrado pelos funcionários e militantes sindicais do BB pelo autoritarismo imposto pela direção da empresa, pela perseguição e retaliação pública aos grevistas e aos que cobram judicialmente seus direitos trabalhistas sonegados durante anos pela negligência em resolver o problema com a jornada legal dos bancários, que faz acumular um passivo trabalhista bilionário.

            Entretanto, também lembraremos 2012 pela resistência ao autoritarismo do Banco do Brasil, da luta nacional contra o assédio moral e pelas conquistas acumuladas nos 20 anos de celebração da Convenção Coletiva de Trabalho – CCT. O ano de 2012 também foi importante pela conquista de isenção do imposto de renda sobre a PLR (Participação dos Lucros e Resultados).
        
    Para coroar a péssima e irresponsável gestão da direção do Banco do Brasil no quesito relações de trabalho, no dia 28 de janeiro de 2013, o banco divulgou um novo normativo que permite a redução salarial de mais de 22 mil trabalhadores em todo o Brasil. Trabalhadores esses que foram aprovados em concurso público e sempre dedicaram suas vidas a servir aos interesses da empresa e que deveriam também ser os interesses da nação brasileira.

            Informamos ainda a Vossa Excelência que o funcionalismo do Banco do Brasil no Estado do Pará acumula problemas crônicos como: falta de funcionários, o que implica em imensas filas no Banco; falta de investimento em segurança, levando a seqüestros, assaltos e mortes, tanto de clientes quanto de funcionários; além de assédio moral praticado por gestores locais que são despreparados em lidar com trabalhadores e com pessoas.
           
           
            Nós do Sindicato dos Bancários do Pará, pretendemos, além de denunciar todos esses problemas, que, de fato, a Presidência da República interfira e tome posse no BB, estabelecendo relações de diálogo e respeito à luta e às conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras, que sempre defenderam um banco público a serviço do Brasil e dos brasileiros e brasileiras.

            Atenciosamente,

Rosalina do Socorro Ferreira Amorim
Presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará

domingo, 20 de janeiro de 2013

Terceirização diminui o emprego, precariza o trabalho, aumenta a jornada e é incompatível com desenvolvimento sustentável. Tema em debate dias 22 e 23.

Estamos vivendo uma fase de quase pleno emprego no Brasil, o que é um ótimo indicador. Mas o emprego nem sempre vem acompanhado de proteção social, renda e condições de trabalho decentes, muito especialmente se a origem for a terceirização, tema sobre o qual a CUT.Pará, em conjunto com a AFL-CIO se debruçam nesta semana no seminário "Terceirização: construindo estratégias de luta e enfrentamento no Pará". O evento vai ocorrer nos dias 22 e 23 e será realizado na sede do Sindicato dos Bancários do Pará, tendo como um dos palestrantes o dirigente sindical da ContrafCUT, Miguel Pereira, que integra o Grupo de Trabalho da CUT Nacional. Presente também o secretário nacional de Organização Sindical da CUT, Jacy Afonso


A terceirização é geralmente apontada como um avanço  nas relações de trabalho, mas estudos do Dieese/Ministério do Trabalho e Emprego e CUT mostram várias caras da precarização no trabalho, a partir da terceirização.

Vejamos:
  • Reduz emprego: em 2010, houve 801 vagas a menos;
  • Jornada maior: o terceirizado trabalha em média 43 horas/semana e o empregado direto, 40 horas
  • Remuneração menor: trabalhador terceirizado ganha em média 27% a menos que o empregado direto;
  • Direitos sociais menores: em 72,5% dos casos, os direitos sociais dos terceiros são menors que os existentes nas empresas contratantes;
  • Contrato é temporário e rotativo: o terceiro é geralmente contratado temporariamente e com alta rotatividade. Entre janeiro e agosto/2011 a rotatividade no mercado de trabalho foi de 28%. Já nas empresas tipicamente terceirizadas,a  rotatividade foi de 49%. Ao invés de gerar emprego, gera trabalho precário;
  • Desproteção social e informalidade - 46% não contribuem para a Previdência Social e estão na informalidade;
  • Acidentes, doenças e mortes: a cada 10 acidentes, 8 são registrados em terceirizadas e nos casos em que há morte;
  • No setor elétrico, a taxa de mortalidade entre os terceiros foi de 47,5%. Já a taxa de trabalhadores diretos foi de 14,8%;
  • Aumentar lucros e reduzir preços - através de baixíssimos salários, altas jornadas e pouc invetsimento em melhoria das condições de trabalho, empresas de terceirização têm com estratégia central otimizar lucros e baixar custos. 
  • Cidadãos de segunda classe, o terceirizado tem seus direitos desrespeitados e vira uma espécie de cidadão de segunda classe.
  • Terceirização é incompatível com desenvolvimento sustentável, pois não leva em conta a priorização da vida e o equilíbrio com a natureza, igualdade, distribruição de renda e inclusão social.

Zara e Jirau: dois exemplos de terceirização
A famosa empresa de vestuário Zara teve 3 oficinas autuadas por condições análogas ao trabalho escravo: 52 funcionários trabalhando 14 horas ou mais/dia, recebendo entre R$ 0,12 e R$ 0,20 a peça de roupa, trabalhando em alojamentos irregulares em galpões improvisados, sem ventilação ou iluminação adequadas; ambiente quente, com falta de banheiros. Trabalhadores só podiam sair com autorização da chefia.

Já a hidrelétrica de Jirau (RO), financiamento público do BNDES de 7,2 bilhões de reais, tem 22 mil empregados diretos e 20 mil indiretos. Ali, trabalhadores sofriam violência física do consórcio liderado pela Camargo Corrêa e eram obrigados a comprar produtos a preços estratoféricos no conteiro da obra. Precárias condições de trabalho e saúde, inclusive com trabalhadores morrendo de malária; falta de transporte para sair do local; não concessão das folgas a cada quatro meses de trabalho. No setor da construção, quase 80 mil operários se rebelram contra as condições de trabalho e na maioria eram terceirizados.

No setor financeiro, existe a terceirização nas lotéricas e mesmo dentro dos bancos, como é o caso das áreas de TI - tecnologia da Informação.

No Pará, há enorme avanço da terceirização na área das mineradoras, de Belo Monte e também no meio rural, no setor de biodiesel , além da terceirização nos setores da Celpa e Cosanpa (luz e água). Também no setor público e de supermercados. Portanto, há enormes desafios para este 2013 e vem bem a calhar o seminário da terceirização.

Propostas da CUT:
- A CUT quer construir uma regulamentação que incopore as mudanças já consolidadas no mercado de trabalho e revertam a precarização resultante do processo de terceiração, com as seguintes diretrizes:
- direito à informação prévia;
- proibição da terceirização na atividade-fim;
- a responsabilidade solidária da empresa contratante pelas obrigações trabalhistas;
- a igualdade de direitos e de condições de trabalho e;
- a penalização das empresas infratoras.

Clica e assiste ao vídeo da TV CUT sobre terceirização

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Com governo e banco é como cozinhar feijão: só com muita pressão. Desafios da classe trabalhadora para 2013, 2014, 2015...

O Arte Bancária retoma hoje as atividades de postagem, após as festas de Natal e Ano Novo... E destaca a entrevista que o compa Carlos Cordeiro (Carlão) concedeu ao sítio da Contraf-CUT.

  • Parabéns ao compa Francisco Nogueira Neto que venceu as eleições diretas para uma vaga ao Conselho de Administração do Banpará, com 283 votos. Parabéns também ao suplente, Manoel da Silva Pereira Jr. (257 votos) e aos que participaram do processo democrático. E parabéns ao Sindicato dos Bancários Pará pela condução do processo. Ter um conselheiro eleito no Conselho de Administração é luta do movimento sindical e que no Banpará virou realidade em 2009! 
 A entrevista do Carlão:
Apesar de ter provocado a crise econômica, que desde 2008 fechou mais de 30 milhões de postos de trabalho em todo o mundo, e na Europa estar destruindo o Estado de bem-estar social construído em quase um século de lutas dos trabalhadores, o neoliberalismo perdeu o pudor e volta a dominar todos os espaços na grande mídia nacional.

Em nome do deus mercado, os neoliberais, cujo quartel-general se esconde nas entranhas no sistema financeiro, combatem a política de queda de juros e spread do governo federal, rebelam-se contra a redução das tarifas de eletricidade e contra as intervenções do Estado para regular áreas estratégicas da economia. Demonizam as políticas sociais e amplificam a campanha visando criminalizar a ação política dos que os combatem, especialmente dirigentes políticos do Partido dos Trabalhadores.

Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT, que acaba de ser reconduzido à presidência da UNI Américas Finanças, defende que é desafio do movimento sindical sair do corporativismo e fazer esse enfrentamento com os neoliberais e com os conservadores, que têm hoje a hegemonia nos grandes veículos de comunicação.
  • Acabar com demissão imotivada, terceirização, precarização...
Do ponto de vista corporativo, o grande desafio hoje colocado é o emprego. Temos de criar condições para grandes mobilizações em defesa do emprego, porque banco e governo é como feijão: só com pressão. É importante negociar, estabelecer as mesas de negociação, mas negociação sem mobilização é frágil. E isso passa por ampliar nosso diálogo com os trabalhadores, para estarem mais presentes nesses processos de negociação, participando das mobilizações. 

É possível dar um salto de qualidade no debate do emprego. Não podemos ficar atrás do debate que há em outros países, que têm empregos estáveis, sem rotatividade. Esse é, sem dúvida, hoje o maior desafio que a categoria bancária tem. É preciso acabar com a demissão imotivada, com a terceirização, com a precarização, com o trabalho indecente, com os projetos de correspondentes bancários.

  • Pra que serve o sistema financeiro?
A reforma do sistema financeiro é absolutamente prioritária. Por isso, nós precisamos cada vez de uma conferência nacional sobre o sistema financeiro. Como o governo ignorou as várias solicitações que fizemos para realizá-la, cabe aos trabalhadores e outros representantes da sociedade concretizá-la. É muito importante discutir não apenas o papel dos bancos e do crédito, mas acima de tudo o que a sociedade quer de um sistema financeiro, para onde estará direcionado, quem vai ser atendido, a questão da universalização dos serviços bancários, a redução dos juros e das tarifas e, acima de tudo, com fiscalização eficiente e punição exemplar quando houver falcatruas.

  • Remuneração decente e fixa
Os outros dois desafios corporativos são o da remuneração e das condições de trabalho. É preciso inverter essa lógica de remuneração variável x remuneração fixa. Temos que lutar por uma remuneração decente, fixa, e que tenha impacto em toda a vida laboral, especialmente na aposentadoria do trabalhador. Essa é uma mudança que vai depender de muito debate com os trabalhadores e muito enfrentamento com os bancos e com o governo. E, claro, da nossa unidade e mobilização.

  • Movimento sindical precisa se qualificar sobre grandes temas
 As reformas tributária e política, a regulamentação do sistema financeiro e o marco regulatório das comunicações são temas que a sociedade, e especialmente os trabalhadores, precisam ficar a par deles. E para isso o movimento sindical precisa estar preparado, conhecer esses temas e se especializar neles para promover a discussão, fazer o debate e dialogar com os trabalhadores. Temos que ter posição a respeito desses temas e, mais do que isso, fazer a disputa na sociedade, sendo a referência dos trabalhadores, porque hoje os empresários acabam sendo a grande referência.

  • Regulamentar-já a mídia!
Urge uma regulamentação da mídia. O marco regulatório das comunicações no Brasil é de 1962, de uma época que não havia sequer televisão a cores, quanto mais TV a cabo e internet. A Argentina está fazendo essa discussão, com um projeto que tem recebido elogios das Nações Unidas. A Inglaterra está punindo os excessos e crimes cometidos pelos jornais do Rupert Murdoch. Na Europa e nos Estados Unidos há limite para que um mesmo grupo empresarial acumule propriedades cruzadas de meios de comunicação, de forma a impedir o oligopólio e incentivar a diversidade de propriedade de meios de comunicação e, em última instância, a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.



Carlos Cordeiro, pte da Contraf-CUT e da Uni Américas durante festa de posse da diretoria do Sindicato dos Bancários do Pará, em junho/2010. Novas eleições acontecem em abril/2013.

Heidiany Katrine, Serginho, Cris Aleixo, Fernando Bosco (agora na PRF), Vera Paoloni, Rosalina Amorim e Carlão em junho/2010, em Belém.

Carlão participou da formação sindical dos eleitos nos comitês Banpará. Atividade realizada no auditório dos Bancários Pará em 16/março/2011.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal e que 2013 nos traga luz e vitórias! Porque a vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa...


O tempo

Mário Quintana

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.

Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.

A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Com nosso abraço ao compa Samuel Lima pelos votos de Feliz Natal!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sindicato vai à justiça para resgate do tíquete extra do Banpará pago desde 2008 e cortado este ano. Audiência em 15/01/2013, na 16ª Vara

Vai ser dia 15 de janeiro de 2013, às 10:45, a audiência inaugural da peleja judicial que o Sindicato dos Bancários do Pará trava para resgatar o tíquete extra do funcionalismo do banco, que foi pago em 2008, 2009, 2010, 2011 e suspenso, unilateralmente este ano, conforme denuncia o sítio do Sindicato.

O Sindicato protocolou ação dia 12.12.2012 que foi distribuída para a 16ª Vara do TRT-Pa, Tribunal Regional do Trabalho. A ação do tíquete extra Banpará recebeu o nº 0001999-73.2012.5.08.0016.

 ***
 Basa e entidades sindicais reúnem amanhã sobre ponto eletrônico. Seeb-Pará repudia a instalação unilateral do sistema

Miguel Pereira, da Contraf-CUT: é preciso fiscalizar o ponto!
E nesta terça-feira 18, às 9 horas, Sindicato dos Bancários do Pará, Fetec-CN e Contraf-CUT reúnem com a diretoria do BASA, na sede da Matriz,em Belém.Pa, para tratar da implantação do ponto eletrônico. Mas em seu sítio, o SEEB-Pará já repudia a instalação do ponto eletrônico sem a devida análise e aprovação das entidades sindicais. Clique aqui.
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Miguel Pereira fala sobre ponto eletrônico
Miguel Pereira, secretário de Organização da Contraf-CUT, concedeu esta entrevista ao Arte Bancária acerca do ponto eletrônico. Mostra os ganhos ao trabalhador e também os desafios. E que é preciso vigilância o tempo inteiro!

O ponto eletrônico, implantado na forma das Portarias 1.510 e 373 do Ministério do Trabalho e Emprego – M.T.E., registra com fidelidade a jornada e impede qualquer possibilidade de burla na marcação da jornada, garantindo que se houver hora extra trabalhada, ela será corretamente anotada. É um passo importante para garantir o pagamento correto. Caso isso não ocorra, facilitará ao sindicato buscar garantir esse direito. 

 Arte Bancária - O que o bancário ganha com a implantação do ponto eletrônico?
Miguel - Em 1º lugar, o registro fiel das horas trabalhadas, da jornada, o que significa o fim da manipulação da jornada. Em 2º, ao se efetivar corretamente a jornada de cada trabalhador, é cabalmente demonstrada a real necessidade do nº de bancários que precisam ser contratados no banco. A contagem correta da jornada, força a empresa a contratar mais, aumenta o
emprego, melhorando as condições de trabalho. E em 3º lugar, a anotação e pagamento das horas extras trabalhadas.

Arte Bancária - O que garante que as horas extras trabalhadas serão efetivamente pagas?

Miguel – Em primeiro lugar temos de dizer que defendemos é o cumprimento da jornada e que o trabalho extra, quando realizado seja eventual e não cotidiano, e devidamente pago.

A legislação só prevê duas possibilidades: o pagamento ou a
compensação de jornada. Como não existe Acordo Coletivo para compensação, resta somente o pagamento.

 Arte Bancária - Com o ponto eletrônico, todo mundo no banco é obrigado a entrar e sair no mesmo horário?

Miguel - Não, não é. O ponto eletrônico registra apenas a jornada. A gestão dessa jornada continua sendo feita pelo banco. As exceções, as especificidades podem ser facilmente tratadas pela Diretoria e homologadas pelos gestores, não criando qualquer conflito com a norma. Por exemplo, se o bancário precisar sair mais cedo ou chegar mais tarde, o ponto dele precisa ser registrado

e essa alteração será perfeitamente abonada pelo gestor, caso haja essa previsão ou comunicado prévio. Repito: a finalidade do ponto eletrônico é o registro fiel da jornada, do número diário de horas trabalhadas.

Arte Bancária - Em termos de direitos, o que está assegurado a partir da implantação do ponto eletrônico?

Miguel - Com o fiel registro da jornada, as empresas de um modo geral ficam impossibilitadas de alterar, apagar ou manipular o registro. E o trabalhador tem o direito de acessar a qualquer tempo o espelho real do ponto, do que foi registrado. Ou seja, o ponto eletrônico impede a burla na marcação da jornada. E se o funcionário for obrigado a fechar o ponto e continuar trabalhando, essa fraude trabalhista é facilmente detectada pela inspeção do trabalho, muito melhor que o registro manual na folha de ponto. É uma grande conquista na mão do trabalhador.
 

Arte Bancária - E por que então há setores que se revoltam com o ponto eletrônico?

Miguel – Essa manifestação é apenas no começo da implantação, porque obviamente altera algumas rotinas. Mas logo,logo as pessoas veem os ganhos com a mudança e se adaptam. Obviamente, requer mudanças de hábitos, tanto por parte da empresa quanto dos funcionários. E quando realmente ocorrem situações incontornáveis, nada como uma boa  e efetiva negociação para se ajustar e ficar bom para todos. Foi assim que aconteceu com as demais empresas.

Arte Bancária – Como funciona o sistema nos demais bancos?
Miguel – Todos os grandes bancos já utilizam desse mecanismo para marcação do ponto de seus funcionários, com ganho para os bancários, inibindo o trabalho gratuito. Mas esse é um processo permanente de aprimoramento e é o que a Contraf-CUT vem fazendo junto às instituições financeiras. Paulatinamente estamos avançando, por exemplo, vinculando o sistema operacional dos bancos ao ponto, para impossibilitar que ninguém trabalhe fora do sistema ou a criação de “login único” para que impossibilite que ninguém trabalhe com senhas de outrem.

Arte Bancária - E quem fiscaliza o ponto eletrônico?

Miguel – Em primeiro lugar o próprio bancário e caso perceba desvios, o Sindicato dos Bancários, pelos acordos firmados, tem a possibilidade de inspecionar o ponto eletrônico dos bancos.
Essa é outra grande conquista, pois anteriormente o sindicato apenas apresentava a denúncia ao M.T.E. (Ministério do Trabalho e Emprego) e ficava aguardando a agenda das Superintendências locais do M.T.E. para a inspeção, e na maioria dos lugares o trabalho bancário não é prioritário em razão da pouca estrutura do Ministério. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Governo Jatene entrega a carteira do consignado do Banpará para o banco mineiro BMG.

  • Hoje às 8 horas, na frente da Superintendência do Banco do Brasil em Belém (na Presidente Vargas com a Rua Santo Antônio), ato ecumênico promovido pelo Sindicato dos Bancários do Pará no 7º dia do assassinato do jovem bancário do BB, Francivaldo Soares, vítima de tentativa de assalto em São Domingos do Capim no dia 7 de dezembro. O Sindicato denunciará a insegurança e o alarmante crescimento dos assaltos. Só este ano, 35 assaltos a banco, 12 tentativas e agora mais um bancário morto!
  • Morte por inanição? O Governo do Estado, governo Jatene tanto fez que acabou entregando a carteira do empréstimo consignado para o banco mineiro BMG. O governo tucano do PSDB do Pará já havia feito duas tentativas, todas barradas: primeiro quis passar a carteira do consignado para a Caixa Econômica Federal e depois para o Bradesco. Agora, a 7 de dezembro, o governo, via Sead- Secretaria de Administração do Estado do Pará, entregou a carteira ao banco BMG. A carteira do consignado é um dos principais motores do Banpará que fica ferido de morte, como denuncia o Sindicato dos Bancários do Pará. Prepara a privatização ou mata por inanição?
  • Leitores e leitoras reagiram no facebook:
  • Salete Gomes Mas logo esse banco abominavel, envolvido no !mensalão!!!???Os tucanos são tão corretos pq se metem com um banco como o BMG? Para nós, resta reagir.
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