Cantinho de debate político, boa informação sobre vida,política, saúde,democracia, alegria... E sobre sindicalismo. Blog da Articulação Bancária Pará. Grupo ligado à CUT.
"Quem sabe, faz a hora. Não espera acontecer"... já cantava Geraldo Vandré na década de 60. E a mulherada da FETEC-CN não contou conversa. Foi lá e fez. Reunindo na hora do café da manhã, na hora do almoço e entre uma pauta e outra, articulou e criou o Coletivo Provisório de Mulheres da FETEC-CN, federação que reúne 12 sindicatos da extensa região centro Norte. E assim, nos 21 anos de existência da Federação, nasceu o coletivo durante a assembleia da FETEC-CN, nos dias 22 e 23, em Cuiabá-MT.
O Coletivo já tem um desafio: realizar o I Encontro de Mulheres da base da FETEC-CN nos dias 26 e 27 de fevereiro/2013, em Brasília DF. Em todo o país, as mulheres no setor bancário já são 50% da categoria.
Do Coletivo Provisório da FETEC-CN fazem parte: Italina Facchini (Seeb-MT), Rosalina Amorim (Seeb-Pa), Iaci Azamor (Seeb-MS), Sônia Rocha e Marly Ferreira (Seeb-MT e Rondonópolis), Rosane (Seeb-Brasília) e Vera Paoloni, da base do Seeb-Pa.
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Nos intervalos da pauta geral, a reunião da mulherada, decidindo rumos e novos debates.
Na hora do café, do almoço a construção do coletivo de mulheres.
Italina, Sônia Rocha, Rosalina, Iaci, Vera Paoloni e Marly: o anúncio do Coletivo para o conjunto da assembleia.
BASA: Seminário de Saúde é nesta quarta 28, à tarde
Nesta quarta-feira, a partir das 13 horas, no auditório Rio Amazonas, do BASA, o Seminário de Saúde dos empregados do Banco da Amazônia, atividade realizada pelo Seeb-Pa em conjunto com FETEC-CN e ContrafCUT. O companheiro Sérgio Trindade coordena o evento.
Confira a programação:
13h30 : início do credenciamento e merenda
14h – Mesa de abertura
14h30 – Apresentação conceitual e social da saúde do trabalhador bancário
15h – Panorama da política de saúde do RH do Banco da Amazônia
15h20 – Intervalo
15h30 – Panorama do plano de saúde CASF
16h – Panorama do plano de saúde CAMED do Banco do Nordeste do Brasil
16h20 – Panorama do Saúde Caixa – Caixa Econômica Federal
16h40 – Panorama da política de saúde do RH do Banpará
O artigo a seguir é uma contribuição do companheiro Manoel Gomes de Sousa, bancário, professor, especialista em Saúde do Trabalhador e diretor não-liberado da FETEC-CN. Integrante da Articulação Bancária Pará (Artban). Aproveitamos para parabenizar o companheiro, que está aniversariando hoje. Parabéns, Manolo!
Meio ambiente e saúde do trabalhador: um mundo sustentável é possível!
Por Manoel Gomes de Sousa. (*)
Manoel Gomes, oManolo e sua companheira, Nazaré.
As vésperas da Conferência Rio+20 teve início em todo Brasil, no último dia 04, a Semana do Meio Ambiente. Trata-se de um momento privilegiado para que órgãos e comunidades se mobilizem para falar, discutir e refletir sobre a relação e conexão de homens e mulheres com as questões socioambientais.
Dentre as comemorações dessa semana está o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado no dia 05 de junho. Esta data foi criada pela Assembleia Geral das nações Unidas no ano de 1972, marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano. A data tem como missão, chamar a atenção e promover a ação política de povos e países no sentido de que cresçam a conscientização e a preservação ambiental, bem como, mostrar o lado humano das questões ambientais, que requerem ações voltadas para educação e capacitação das pessoas para que se tornem, efetivamente, agentes de transformação e promoção da importância que deve ser dada para que todas as nações e povos possam ter um futuro mais seguro e mais próspero.
A NECESSIDADE DE UMA ECONOMIA VERDE
O ano de 2007 marca o início de uma crise financeira mundial. Tal crise, segundo diversos economistas, pode ser considerada como a pior crise financeira desde a Grande Depressão de 1929.
Um dos aprendizados que podemos tirar dessa experiência é que urge a necessidade de uma nova
forma de gestão da economia. A nova Economia Verde é, portanto, uma alternativa apropriada e
uma maneira mais sustentável de fazer negócios.
A Economia Verde pode ser descrita como resultante de uma melhor qualidade de vidahumana e equidade social, o que significa uma efetiva redução de riscos ambientais e escassez ecológica. Simplificando, uma economia verde funciona como uma ferramenta de baixa emissão de carbono, eficiência de recursos e inclusão social.
A Iniciativa Economia Verde, liderada pelo PNUMA, foi lançada no fim de 2008. A partir de análises e apoio político que reforçam a necessidade de investimento em setores verdes e no esverdeamento de setores que não são ambientalmente saudáveis, essa iniciativa utiliza um mecanismo de trabalho prático e abrangente.
As discussões que têm balizado a estruturação de uma “economia verde” requerem um compromisso da sociedade mundial com a preservação do ambiente para as gerações futuras, a partir de uma prática equitativa e inclusiva para todas as pessoas em todos os países. O resultado esperado tem como perspectiva um progresso pautado pela geração de “empregos verdes”, de unidades industriais mais “verdes”, enquanto elementos chaves na persecução de um desenvolvimento econômico e social sustentável do ponto de vista ambiental. Para tanto, a inclusão social, o desenvolvimento social e a proteção ambiental devem estar intimamente ligados a locais de trabalho mais seguros e saudáveis e a um trabalho digno para todos.
MEIO AMBIENTE E SAÚDE DO TRABALHADOR
Trabalhador e meio ambiente pós Revolução Industrial não são mais os mesmos. As transformações tecnológicas trouxeram muitos benefícios, no entanto os danos causados tanto à saúde do trabalhador como ao meio ambiente são extremamente graves. Portanto, a relação Saúde do Trabalhador e a Saúde Ambiental são estreitas e precisam ser tratadas no mesmo campo.
O então sistema de produção em massa, sustentado por uma economia baseada no consumismo, que degrada a saúde do trabalhador e o meio ambiente se depara com um cenário cada vez mais competitivo. O desafio posto exige que as empresas produzam mais e melhor. Paralelo a essa necessidade, surge outro desafio que se sobrepõe a pura necessidade do aumento da produção.
É necessário que se produza a partir de uma ótica permanentemente sustentável, portanto urge que empreendedores e profissionais desenvolvam habilidades voltadas para estruturação de um processo econômico que permita a sua permanência, observe prazos e qualidade adequados, possibilitando àsempresas um desenvolvimento pleno sem passivos ao trabalhador e ao meio ambiente.
Responsabilidade socioambiental é a via a ser seguida rumo a sustentabilidade empresarial,o que exige a observação de uma produção ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa, e, que respeite a diversidade cultural. Este será o diferencial no mercado naquilo que se refere a produtos e serviços, cuja referência e princípios estão pautados por uma Economia Verde.
(*) Manoel Gomes de Sousa é bancário do Santander, Diretor da FETEC/CN- Federação dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito do Centro Norte; Técnico de Segurança no Trabalho, foi Chefe da Divisão de Saúde do Trabalhador da Secretaria de Saúde do Pará no período de 2007/2010. Tem bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade
da Amazônia.
Assista à entrevista legendada com o dr. David Servan-Schreiber, autor do livro Anticâncer.
E leia trechos da entrevista de Sílvio Tendler. Mais abaixo, a entrevista completa e também artigo de João Pedro Stédile sobre o veneno que se come todos os dias.
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Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. O agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano
O cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico.
Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura
A luta contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política.
O veneno está na mesa
Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek,Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
Em "O veneno está na mesa", lançado na segunda-feira (25) no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.
Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler –Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.
Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?
Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.
Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande...
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.
A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.
No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.
Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.
O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na última safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma média anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc.
O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos países de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas conseqüências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou na verdade as empresas desovarem seus estoques.
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as máquinas num mesmo período. Pois bem esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população inclusive das cidades vizinhas.
O Dr. Vanderley Pignati, da Universidade Federal do Mato Grosso, tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras consequências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.
Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade Federal do Ceará já comprovaram o aumento do câncer, na população brasileira, conseqüência do aumento do uso de agrotóxicos.
A ANVISA – responsável pela vigilância sanitária de nosso país - detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados, somente esse ano, produzido por grandes empresas transnacionais. Ou seja, além de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a fórmula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.
O Dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, de que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estômago no Brasil, a maioria consequente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.
Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da segunda guerra mundial, para cá, como uma adequação das fábricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietnam. E agora suas fábricas produzem o glifosato, que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estomago.
Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as conseqüências no meio ambiente e na saúde da população.
A terceira rodada de negociação entre Comando e banqueiros, que aconteceria dia 13, foi antecipada para o dia 12, pela manhã. Nessa rodada, o tema é remuneração. Ontem foi discutido o tópico saúde e condições de trabalho e banqueiros demonstraram com ironias e piadas que não estão nem aí para a organização do trabalho existente nos bancos e que adoece profundamente a categoria bancária. Hoje, o tema é segurança. A reivindicação do Comando é: instalação de mais equipamentos de prevenção contra assaltos e sequestros, melhoria da assistência médica e psicológica às vítimas da violência e insegurança nos bancos, bem como a proibição do porte das chaves de cofres e do transporte de valores por bancários
Aqui no Pará, o Sindicato dos Bancários paralisou a agência do Itaú/Unibanco, em Marituba - região metropolitana de Belém - que funciona sem a porta eletrônica, que é obrigatória pela Lei Estadual 7013, projeto de autoria do deputado Bordalo (PT-PA).
Sobre saúde, é fato que bancários e bancários adoecem muito e tanto, que o próprio INSS reconhece ser a categoria que mais adoece, tanto de LER/DORT como de transtornos mentais.
Entre janeiro e junho de 2009, por exemplo, 6.800 bancários no Brasil foram afastados por doenças, dos quais 2.030 por LER/DORT e 1.626 por transtornos mentais. Pesquisa da Universidade de Brasília revelou que houve 181 suicídios de bancários entre 1996 e 2005, o que dá uma média de 18 por ano.
A causa desse adoecimento é o acúmulo das metas abusivas e assédio moral, mistura que adoece e até mata. Ou faz a categoria pedir demissão.
Proposta -Para combater o desrespeito dos bancos, os bancários propõem, entre outras coisas, a participação dos trabalhadores na fixação das metas, que devem levar em consideração o tamanho, a localização e o perfil econômico das dependências. O Comando Nacional também reivindicou que não haja meta de venda de produtos para os caixas. E que as metas não sejam individuais nem comparadas por quaisquer tipos de ranking
Desdém -Banqueiros negam que haja metas abusivas nas instituições financeiras e questionam até mesmo a veracidade das pesquisas que apontam o aumento do número de adoecimentos na categoria em razão da pressão por aumento da produtividade.
"A postura dos bancos foi de absoluto desdém em relação à saúde dos trabalhadores e às condições de trabalho", condena Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional. "Eles estão sendo irresponsáveis com o sofrimento dos bancários dentro das dependências."
O que os banqueiros recusaram
O Comando Nacional defendeu a cláusula da pauta de reivindicações segundo a qual os bancos não podem manter bancários trabalhando no mesmo ambiente físico de agências e departamentos que estejam sendo submetidos à reforma. Os representantes da Fenaban não aceitaram incluir essa cláusula na Convenção Coletiva, afirmando que esse é um tema para discussão empresa por empresa, caso a caso.
Os negociadores dos banqueiros também rejeitaram a reivindicação de manutenção da complementação salarial em valor equivalente à diferença entre a importância recebida do INSS e a remuneração total recebida pelo trabalhador (como salários, comissões, gratificações, adicionais, PLR, como se na ativa estivesse) até a cessação do auxílio-doença.
A Fenaban recusou também a proposta de que ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses seja automática, sem a necessidade de opção por parte da bancária. (Leia mais aqui).