segunda-feira, 19 de julho de 2010

PFG e pauta de reivindicações da Caixa

A Contraf-CUT entregou na manhã de sexta-feira passada, 16, a pauta para o processo de negociação permanente com a Caixa, em Brasília. As reivindicações foram aprovadas no 26º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizado nos dias 28, 29 e 30 de maio, em São Paulo. Os representantes dos trabalhadores também levaram à empresa diversos questionamentos e dúvidas dos bancários sobre o Plano de Funções Gratificadas (PFG).

A implantação o Plano de Funções Gratificadas (PFG) pela Caixa atendeu parte das demandas dos empregados sobre o tema, mas não esgotou a pauta de reivindicações aprovada pelo 26º Conecef.

Uma série de problemas ainda persiste no modelo implementado pelo banco, que não contou com a assinatura de acordo coletivo com o movimento sindical.


Um dos principais problemas é a discriminação realizada pelo banco contra os empregados que optaram por permanecer no REG/Replan não saldado. Como já fez anteriormente na implantação da nova tabela do PCS, em 2008, o banco não permitiu a migração destes trabalhadores para o novo PFG, o que é inaceitável para o movimento sindical.

Outro ponto é a questão da destituição de comissão. Os trabalhadores conseguiram avanço no caso das nomeações, que hoje são feitas exclusivamente por meio de Processos Seletivos Internos (PSI). No entanto, as destituições continuam sendo decididas pessoalmente pelos gestores, de forma subjetiva, sem critérios transparentes, o que contradiz as reivindicações da categoria. As questões relativas à alteração da jornada de trabalho também não foram equacionadas de forma a atender as demandas dos trabalhadores.

"Não concordamos com a posição da Caixa, que está gerando diminuição de rendimento de diversos trabalhadores, o que tem sido um dos pontos mais criticados do novo PFG. Reivindicamos jornada de seis horas para todos e sem redução de salário", afirma Jair Ferreira.

Dúvidas sobre o PFG

Ainda sobre o novo PFG, a Contraf-CUT levou para a mesa de negociação uma série de questionamentos feitos pelos empregados aos dirigentes sindicais.

Veja algumas das repostas do banco:


1. Proibição de realizar substituições para quem ficou no PCC Uma das mais ouvidas diz respeito ao impedimento imposto pelo banco às pessoas que optaram por não migrar para o novo PFG, que não podem fazer substituição de função. Há casos de pessoas que já vinham se preparando para a substituição durante as férias do gestor de sua unidade, por exemplo, e que agora não conseguem registrar a substituição no sistema.

"Entendemos que se trata de mais uma discriminação. A opção por não migrar para o novo PFG não deveria ter um impacto desse tipo para os empregados, que muitas vezes até assumiram compromissos financeiros por conta do rendimento extra da substituição", afirma Jair.


O banco reconheceu o impedimento, que disse ter sido uma medida que entendeu necessária para evitar riscos jurídicos. Além disso, esclareceu que as substituições que estavam já em andamento antes do dia 1º de julho, data da implementação do PFG, não foram impedidas. Os negociadores informaram também que a empresa está reconhecendo que a proibição está trazendo diversos problemas e solicitou estudo ao Departamento Jurídico para flexibilizar a medida e permitir a substituição.

2. Pontuação reduzida nos PSI

Outro caso de discriminação aos bancários que optaram pela não migração está acontecendo no sistema dos PSI. Esses trabalhadores estão com pontuações mais baixas que os empregados que migraram para o novo PFG.

"Isso não faz sentido, é mais uma discriminação do banco. Não é porque o bancário não migrou que sua experiência e qualificações profissionais foram alteradas", afirma Jair Ferreira. A Caixa afirmou que vai reavaliar a situação.


3. APPA

Os bancários estão com dúvidas a respeito do Adicional Pessoal Provisório de Ajuste (APPA) ao PFG, valor pago aos trabalhadores cuja função equivalente no plano de funções tem remuneração menor do que a de seu cargo no PCC. A verba será paga ao bancário enquanto ele exercer tal função, deixando de recebê-la se mudar de função.
Outra dúvida surge por conta das transferências de gerentes de uma agência para outra.

A Caixa garantiu que os trabalhadores continuarão recebendo a APPA nesses casos, desde que realizem a mesma função na nova unidade. Caso aconteça mudança de função, deixará de receber o adicional. O valor da adicional também não será alterado caso haja diferença de porte entre a agência de origem e a nova lotação.

Segundo o banco, o APPA tem seu valor definido no momento da transição.
O único caso em que o APPA sofrerá alteração é nas filiais. O problema é que essas unidades ainda não foram classificadas em termos de porte, uma das referências para o salário base dos bancários. Dessa forma, o valor do APPA destes trabalhadores será adequado com base no acréscimo do porte, de forma a manter a relação com a remuneração base no PCC.

4. Gerentes de RET/PV

Estes trabalhadores estão também preocupados com as mudanças que sofrerão no PFG. Com a extinção das RET/PV, os gerentes serão enquadrados na função de Supervisor de Atendimento, na rede de agências. O temor desses bancários diz respeito às dificuldades de relacionamento que são comuns entre os gerentes gerais das agências e o gerentes de RET/PV, responsáveis pela conformidade das operações.


A Caixa informou que, enquanto não estiver concluído o processo de reestruturação das Ret/PV, esses trabalhadores continuarão vinculados às Reret, mesmo trabalhando nas agências. Além disso o empregado terá garantida estabilidade no cargo por 60 dias. Por fim, o banco afirmou que está orientando as superintendências regionais para evitar esse tipo de conflito, uma vez que esses empregados passarão a ter novas atribuição, sendo necessário um período para adaptação.


5. Ações judiciais e adesão ao novo PFG

A Contraf-CUT questionou o banco sobre a possibilidade de migração para o PFG de bancários que tenham ações na Justiça. Segundo o banco, as situações serão avaliadas individualmente, quando os empregados solicitarem a migração. Se for avaliado que a ação é impeditivo, o bancário terá a opção de retirar a ação e completar a migração ou permanecer no PCC e manter a ação.
Em princípio, estão impedidos os trabalhadores que já receberam sentença judicial e aqueles que estão reivindicando redução da jornada para seis horas com manutenção do salário de oito horas. Quem está reclamando pagamento de 7ª e 8ª hora por conta de um período passado que trabalhou não está impedido.

6. Indenizações

Os bancários cobraram da empresa o pagamento de indenizações para quem tenha redução de salário por conta da mudança de jornada. Prevista nas propostas iniciais, a Caixa informou que ainda não tem posição sobre essa medida, acrescentou que se as entidades sindicais aceitassem assinar acordo sobre a redução de jornada facilitaria o pagamento de indenização, os representantes da Contraf-CUT mais uma vez reafirmaram que não existe essa possibilidade.


"O banco está tentando jogar os bancários contra as entidades sindicais ao pressionar a Contraf-CUT a assinar um acordo que fere princípios do movimento sindical, como redução salarial. Se a empresa quer tomar essas medidas, que assuma sozinha o ônus", afirma Jair Ferreira. Após a discussão, o banco disse que vai reavaliar sua posição e trará uma resposta na próxima reunião.

Outros temas

A negociação tratou ainda de outros temas da negociação permanente. Os bancários cobraram da empresa a definição da promoção por mérito, prevista no Plano de Cargos e Salários de 2008.

A Caixa afirma que não conseguiu resolver as pendências sobre o tema por conta da implementação do PFG, mas que pretende dar uma solução até o final de julho.
Mais uma vez foi cobrado pela Contraf-CUT a questão do desconto dos dias parados das campanhas salariais de 2007, nas bases de Belo Horizonte, Bahia e Sergipe, e de 2008, quando a empresa não cumpriu o previsto na Convenção Coletiva da categoria ao descontar dos trabalhadores horas restantes após o período de compensação.

Os bancários lembraram que houve compromisso na mesa de negociação em 2009 para a busca de uma solução para os problemas, e até agora não houve avanço. O banco se comprometeu a tentar trazer uma proposta na próxima reunião
.


Fonte: ContrafCUT

Perguntas e respostas sobre PFG da Caixa

Perguntas e dúvidas do funcionalismo da Caixa em todo o país, com respostas sistematizadas pelo Seeb-SP. Veja aqui as dúvidas mais frequentes e, no outro artigo, o resultado da reunião entre Caixa e ContrafCUT, dia 16, em Brasília. Sobre PFG e pauta permanente da categoria na Caixa.
------
1
– No Plano de Funções Gratificadas (PFG) o meu cargo tem a jornada alterada de oito para seis horas com redução de salário. Serei obrigado a aderir? E quanto à indenização à qual a Caixa se referiu anteriormente?


Resposta - Nesse caso a adesão é opcional e o que o movimento sindical defende é a redução da jornada sem redução dos salários. Com relação à indenização que foi apresentada pelo banco em negociação com o Sindicato realizada em março deste ano, a Caixa na última reunião afirmou que só voltaria ao assunto na próxima negociação, dizendo que naquele momento só discutiria o PFG.

2 – Haverá alguma valorização do piso?

Resposta - A valorização do piso continua sendo reivindicada por nós, posição ratificada no último Conecef, ocorrido no final de maio, inclusive com a adoção do salário-mínimo calculado pelo Dieese com reflexo em todos os níveis do PCS. A valorização dos pisos é uma das reivindicações da Campanha Nacional Unificada 2010 que vai acontecer no Rio, de 23 a 26 de julho agora.

3 – E quanto às promoções?

Resposta - As promoções se referem ao PCS e a Caixa está nos devendo. Temos cobrado isso em todas as negociações com o banco. No último encontro, a Caixa afirmou que pretende definir essa questão ainda em julho e que voltará a tratar do tema na próxima negociação. (Veja informação sobre esse ponto no post abaixo).

4 – O PFG é só para os empregados que aderiram ao novo PCS?

Resposta - O que exclui os empregados do PFG é a condição de participante do plano REG/Replan não saldado. A Caixa discrimina esses empregados a ponto de agora estagnar sua carreira, pois só poderão permanecer com os atuais cargos no PCC, sem possibilidade alguma de movimentação na carreira. O movimento sindical está buscando todas as maneiras cabíveis para garantir a equidade de tratamento para esses empregados.

5 – Os empregados que permanecerem no PCC não serão mais promovidos?

Resposta - Somente as promoções por mérito e por antiguidade, que são ferramentas dos PCS, continuarão existindo para todos os empregados, independente de ocuparem funções gratificadas.

6 – A verba do APPA será reajustada da mesma forma que as outras verbas que compõem o salário?

Resposta - A verba do APPA é de natureza salarial e recebe o mesmo tratamento de outras verbas salariais. Como a direção da Caixa afirmou que os valores do PCC em extinção se sujeitarão aos mesmos reajustes dos do PFG quando da data-base, a diferença resultante (APPA) entre os valores após a correção tem que ser reajustada.

7 – Muda alguma coisa para os caixas? Li que haveria um aumento na função de R$ 100, isso procede?

Resposta - Sim; segundo informação da Caixa a gratificação da função aumentou para R$ 957 e o piso para R$ 2.668.

(Saiba mais sobre a reunião que ocorreu sexta 16, em Brasília entre Caixa e ContrafCUT. No post acima).

Fonte: Seeb-SP

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Transversalizar é combater injustiças

Na categoria bancária, as mulheres são fortemente discriminadas nos salários e funções e, mesmo com aumento do número de vagas nos bancos - fruto da luta e do melhor momento do país -, os banqueiros estão desligando os trabalhadores com maiores salários e contratando com menor salário. Ou seja, sempre no lucro pra eles!

E como a campanha nacional está às portas, é o momento de intensificar a mobilização para ampliar o emprego, ampliar o salário e acabar com a discriminação que sofrem as mulheres, negros e pessoas com deficiência. Pra isso, é preciso conjugar o verbo transversalizar.

E o que é transversalizar?
  • é reconhecer as desigualdades;
  • dar visibilidade para essas desigualdades;
  • deixar de ser uma luta específica para ser geral;
  • buscar medidas concretas para superar as injustiças.
Amanhã, vai rolar o Congresso do Funcionalismo do Banco da Amazônia, aqui em Belém, com participação de bancárias e bancários de todo o país. E na outra semana, no Rio de Janeiro, a Conferência Nacional, que vai traçar a rota da luta desta campanha 2010.

Tanto no congresso do Banco da Amazônia, como na Conferência Nacional, vamos conjugar o verbo transversalizar, lançando um olhar e uma atitude sobre as questões que envolvem gênero, raça, orientação sexual e pessoas com deficiência.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Bancos geram 2.840 novos postos de trabalho no primeiro trimestre de 2010

Os bancos que operam no Brasil criaram 2.840 novos postos de trabalho no primeiro trimestre de 2010, quando admitiram 11.053 trabalhadores e desligaram 8.213. Do ponto de vista salarial, no entanto, a remuneração média dos admitidos foi 37,85% inferior em relação à dos desligados (R$ 2.197,79 contra R$ 3.536,38). A disparidade maior é em relação às mulheres. As bancárias foram admitidas recebendo remuneração 32,71% inferior à dos homens (R$ 1.770,20 contra R$ 2.630,59).

Esses são alguns dos principais resultados da quinta edição da Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). As duas entidades realizam esse levantamento desde o ano passado, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

"A geração de novos postos de trabalho no setor financeiro é uma ótima notícia para a categoria bancária, que na campanha nacional do ano passado tinha a defesa do emprego como uma de suas principais bandeiras", avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. "Em 2009 assinamos acordo com o Banco do Brasil e com a Caixa Federal assegurando a contratação de 15 mil novos trabalhadores. As consultas que estamos fazendo com os bancários indicam que o emprego será novamente uma das principais reivindicações na campanha deste ano."

Na comparação com outros segmentos da economia, no entanto, os dados do Caged mostram que o sistema financeiro foi um dos que menos gerou empregos no primeiro trimestre do ano: apenas 0,43% dos 657.259 novos postos de trabalho criados por toda a economia brasileira no período. O setor que criou mais vagas de trabalho foi o da construção civil, que apresentou um saldo positivo de 127.694 empregos (19,43% do total da economia), seguido do comércio e administração de imóveis, que produziu 95.198 novos postos de trabalho (14,48% do total).

Clique aqui para conhecer a pesquisa completa.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Os 68 anos do Banco da Amazônia

Aeba, Sindicato, Fetec-CN e ContrafCUT, cantaram parabéns e distribuíram bolo pelos 68 anos do banco da Amazônia. E teceram as críticas justas à atual direção, distribuindo manifesto (post abaixo).

Nos 68 anos do Banco da Amazônia: mudar já, para evitar o desastre programado!

Hoje é o niver do Banco da Amazônia e nos 68 anos de existência do banco, o Arte Bancária parabeniza a instituição pela longa vida.

E endossa o brado feito por Aeba, Sindicato do Pará e Amapá, ContrafCUT e Fetec-Centro Norte: é preciso mudar - e já! - o rumo do banco, voltando à missão histórica e ampliando a presença na região. Com democracia e ouvindo a voz das bases.
______________________________________
O Banco da Amazônia completa hoje 68 anos. Sempre foi um banco público, federal,
voltado para o desenvolvimento regional. Por isso, foi-lhe dada a gestão dos recursos do FNO.

É verdade que o posicionamento relativo da Região, como um todo tem melhorado.

Porém, estudos do IPEA revelam que as ações dos Fundos Constitucionais têm contribuído para
aumentar a concentração de renda intra-regional, ao privilegiar as áreas de maior dinamismo
econômico. Isso vem ocorrendo em virtude da adoção de uma política passiva de alocação de
recursos, ou seja, acomodatícia à demanda, ignorando que o mercado, deixadas às suas forças
agirem livremente, é concentrador.

Para reduzir essa concentração, o Banco deveria fazer-se presente em todas as
microrregiões visando:
  • identificar empreendedores potenciais em cada localidade;
  • apoiar a qualificação empresarial;
  • ofertar pré-projetos por produto/área;
  • articular com os órgãos parceiros para o aproveitamento das potencialidades locais;
  • além de fornecer Serviços Empresariais, em articulação com outros órgãos, como: pesquisar oportunidades de mercado internacional;
  • apoiar centrais de negócios para redes de micros, pequenas e médias empresas e também a disseminação de Incubadoras de Empresas, de sorte a criarem-se redes de transmissão de tecnologia empresarial.
Mas, para atender esses requisitos e evitar-se a concentração intrarregional, há que
se buscar a ampliação da presença na Região.

O Norte tem 449 municípios, mas o Banco da Amazônia só possui agências em 74 (16,5%, ou, em menos de um quinto). Por isso, precisa disseminar agências e postos de serviço em toda a Região, através de acordos com os Estados e Municípios, na forma de cessão, por estes, da infra-estrutura (espaço, mobiliários,equipamentos).

Para os locais reconhecidamente com inviabilidade econômica de se manter a presença institucional, periodicamente deslocar Agentes de Desenvolvimento, à semelhança do
Banco do Nordeste, com projetos pré-formatados voltados para as suas potencialidades.

Resultados do Novo Modelo de Negócios

Porém, isso se choca com a atual filosofia de privilegiar o modelo de banco comercial.

As Demonstrações Financeiras de 2009 publicadas oficialmente pela instituição revelaram que
nesse ano ocorreu “uma profunda reestruturação em seu modelo de atuação, a qual determinou
a adoção de Novo Modelo de Negócios, cujo principal pilar é o modelo comercial”.

Além de se configurar em uma distorção de foco, o Banco não dispõe de estrutura
suficiente para concorrer nesse segmento. Ausente em 72% (mais de dois terços) dos municípios
da Região e em 17 das 27 unidades federativas do país. Nessas condições, não é páreo para
qualquer disputa nesse target.

Conseqüência: o lucro líquido do Banco apresentou nos últimos períodos os seguintes
valores: 2008: R$ 215,9 milhões; 2009: R$ 26,3 milhões; 1º trimestre de 2010: registro de
prejuízos na ordem de R$ 54,3 milhões, com tendências de fechar o semestre em queda nos seus
resultados.

Nova filosofia configurou um redirecionamento sem êxito

De fato, essa nova filosofia, introduzida a partir de abril de 2008, configurou um
redirecionamento infeliz, tanto em termos de necessidades da Região como também na
capacidade negocial da empresa. Para a Região, porque esta é carente, em especial em seu
hinterland, do financiamento desenvolvimentista. E para a empresa, porque não tem porte e nem infraestrutura para terçar armas com os bancos públicos (BB e CEF, com maior capilaridade e serviços) e nem com os privados (que têm maior eficiência e recursos).

Nesse ponto, não podemos de deixar de destacar as nefastas consequências desse
processo de reestruturação sobre os empregados do Banco.

A categoria hoje se encontra profundamente insatisfeita, convivendo com extrema sobrecarga de tarefas e extrapolação da jornada de trabalho, seja diária ou semanal, sem a devida contraprestação do pagamento das horas extras, que muitas vezes sequer podem ser mensuradas por absoluta falta do ponto eletrônico. Uma sobrecarga que reflete um reduzido quadro de pessoal e que está sendo imposta pelas metas abusivas e práticas de assédio moral por parte de muitos gestores.

Em vista dos resultados negativos que o Banco vem obtendo, a categoria não consegue visualizar melhorias em suas condições de vida e trabalho, corroendo ainda mais sua autoestima.

É muito desestimulante que por equívocos de gestão a maioria de trabalhadores ainda conviva com a falta de solução para a CAPAF e da construção de um novo PCCS que contemple todas as peculiaridades dos cargos e funções e que os vencimentos estejam em consonância com os valores praticados no mercado, notadamente os dos TC’s, que se encontram altamente
aviltados.

Inexiste ainda uma política de atenção à saúde, que trate de forma equitativa os seus
empregados, assim como, a direção do Banco reluta em estender aos seus trabalhadores a mesma fórmula básica de distribuição de lucros e resultados, conquistada há muito tempo pela categoria bancária (CCT, PLR ,FENABAN).

Para piorar essa realidade, além da insegurança bancária, defrontamos ainda com as péssimas condições do processo tecnológico do Banco, apesar deste ter investido milhões de reais nestes últimos anos nessa área. Como o parque tecnológico não funciona eficazmente, os serviços não andam, ocasionando um alto estresse nos empregados, principalmente porque são eles que procuraram aparar as arestas, muitas vezes sob ofensas proferidas pelos usuários do Banco.

Mobilização para reverter essa situação

Como pode ser observada, a atual direção do Banco encaminhou uma opção estrategicamente errada. Isso se constata, inclusive nas metas exigidas às unidades operacionais (focadas na área comercial) e nos resultados alcançados conforme os números: os recursos a alocar do FNO aumentaram: de R$ 508,5 milhões (em 2008) para R$ R$ 1.228,8 milhões (em 2009), ou seja, 153,5% a mais. Enquanto isso, os recursos alocados desse Fundo em 2009 foram de apenas R$ 455,7 milhões contra R$ 840,5 milhões em 2008 (menos 51,5%).

Neste dia 9 de julho em que o Banco comemora seus 68 anos, as entidades que
abaixo subscrevem, conclamam todos os empregados a retomar as grandes mobilizações para
redirecionar, defender e fortalecer o Banco da Amazônia no caminho de sua missão histórica.

Só assim, poderemos reverter a frase mais dita nestes últimos tempos de que “se trabalha muito,
mas não se vê o resultado esperado”. Só com muitas mobilizações e lutas poderemos conquistar,
já a partir dessa campanha salarial 2010, o respeito, a dignidade e melhores condições de vida e
trabalho, com o atendimento de nossas principais reivindicações.

Para poder comemorar o aniversário e sinalizar longa vida ao banco da Amazônia, afirmamos que é preciso mudar já o rumo da instituição, fortalecendo a missão original e ampliando a presença na região, com investimento no desenvolvimento. (Fotos de arquivo do Arte Bancária, da campanha nacional de 2009, no Banco da Amazônia).

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Banco da Amazônia faz 68 anos. E precisa mudar já o rumo do desastre!

Hoje é o niver do Banco da Amazônia e o Arte Bancária parabeniza a instituição pela longa vida. E endossa o brado feito por Aeba, Sindicato do Pará e Amapá, ContrafCUT e Fetec-Centro Norte: é preciso mudar - e já! - o rumo do banco, voltando à missão histórica e ampliando a presença na região. Com democracia e ouvindo a voz das bases.
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O Banco da Amazônia completa hoje 68 anos. Sempre foi um banco público, federal,
voltado para o desenvolvimento regional. Por isso, foi-lhe dada a gestão dos recursos do FNO.

É verdade que o posicionamento relativo da Região, como um todo tem melhorado.

Porém, estudos do IPEA revelam que as ações dos Fundos Constitucionais têm contribuído para
aumentar a concentração de renda intra-regional, ao privilegiar as áreas de maior dinamismo
econômico. Isso vem ocorrendo em virtude da adoção de uma política passiva de alocação de
recursos, ou seja, acomodatícia à demanda, ignorando que o mercado, deixadas às suas forças
agirem livremente, é concentrador.

Para reduzir essa concentração, o Banco deveria fazer-se presente em todas as
microrregiões visando:
  • identificar empreendedores potenciais em cada localidade;
  • apoiar a qualificação empresarial;
  • ofertar pré-projetos por produto/área;
  • articular com os órgãos parceiros para o aproveitamento das potencialidades locais;
  • além de fornecer Serviços Empresariais, em articulação com outros órgãos, como: pesquisar oportunidades de mercado internacional;
  • apoiar centrais de negócios para redes de micros, pequenas e médias empresas e também a disseminação de Incubadoras de Empresas, de sorte a criarem-se redes de transmissão de tecnologia empresarial.
Mas, para atender esses requisitos e evitar-se a concentração intrarregional, há que
se buscar a ampliação da presença na Região.

O Norte tem 449 municípios, mas o Banco da Amazônia só possui agências em 74 (16,5%, ou, em menos de um quinto). Por isso, precisa disseminar agências e postos de serviço em toda a Região, através de acordos com os Estados e Municípios, na forma de cessão, por estes, da infra-estrutura (espaço, mobiliários,equipamentos).

Para os locais reconhecidamente com inviabilidade econômica de se manter a presença institucional, periodicamente deslocar Agentes de Desenvolvimento, à semelhança do
Banco do Nordeste, com projetos pré-formatados voltados para as suas potencialidades.

Resultados do Novo Modelo de Negócios

Porém, isso se choca com a atual filosofia de privilegiar o modelo de banco comercial.

As Demonstrações Financeiras de 2009 publicadas oficialmente pela instituição revelaram que
nesse ano ocorreu “uma profunda reestruturação em seu modelo de atuação, a qual determinou
a adoção de Novo Modelo de Negócios, cujo principal pilar é o modelo comercial”.

Além de se configurar em uma distorção de foco, o Banco não dispõe de estrutura
suficiente para concorrer nesse segmento. Ausente em 72% (mais de dois terços) dos municípios
da Região e em 17 das 27 unidades federativas do país. Nessas condições, não é páreo para
qualquer disputa nesse target.

Conseqüência: o lucro líquido do Banco apresentou nos últimos períodos os seguintes
valores: 2008: R$ 215,9 milhões; 2009: R$ 26,3 milhões; 1º trimestre de 2010: registro de
prejuízos na ordem de R$ 54,3 milhões, com tendências de fechar o semestre em queda nos seus
resultados.

Nova filosofia configurou um redirecionamento sem êxito

De fato, essa nova filosofia, introduzida a partir de abril de 2008, configurou um
redirecionamento infeliz, tanto em termos de necessidades da Região como também na
capacidade negocial da empresa. Para a Região, porque esta é carente, em especial em seu
hinterland, do financiamento desenvolvimentista. E para a empresa, porque não tem porte e nem infraestrutura para terçar armas com os bancos públicos (BB e CEF, com maior capilaridade e serviços) e nem com os privados (que têm maior eficiência e recursos).

Nesse ponto, não podemos de deixar de destacar as nefastas consequências desse
processo de reestruturação sobre os empregados do Banco.

A categoria hoje se encontra profundamente insatisfeita, convivendo com extrema sobrecarga de tarefas e extrapolação da jornada de trabalho, seja diária ou semanal, sem a devida contraprestação do pagamento das horas extras, que muitas vezes sequer podem ser mensuradas por absoluta falta do ponto eletrônico. Uma sobrecarga que reflete um reduzido quadro de pessoal e que está sendo imposta pelas metas abusivas e práticas de assédio moral por parte de muitos gestores.

Em vista dos resultados negativos que o Banco vem obtendo, a categoria não consegue visualizar melhorias em suas condições de vida e trabalho, corroendo ainda mais sua autoestima.

É muito desestimulante que por equívocos de gestão a maioria de trabalhadores ainda conviva com a falta de solução para a CAPAF e da construção de um novo PCCS que contemple todas as peculiaridades dos cargos e funções e que os vencimentos estejam em consonância com os valores praticados no mercado, notadamente os dos TC’s, que se encontram altamente
aviltados.

Inexiste ainda uma política de atenção à saúde, que trate de forma equitativa os seus
empregados, assim como, a direção do Banco reluta em estender aos seus trabalhadores a mesma fórmula básica de distribuição de lucros e resultados, conquistada há muito tempo pela categoria bancária (CCT, PLR ,FENABAN).

Para piorar essa realidade, além da insegurança bancária, defrontamos ainda com as péssimas condições do processo tecnológico do Banco, apesar deste ter investido milhões de reais nestes últimos anos nessa área. Como o parque tecnológico não funciona eficazmente, os serviços não andam, ocasionando um alto estresse nos empregados, principalmente porque são eles que procuraram aparar as arestas, muitas vezes sob ofensas proferidas pelos usuários do Banco.

Mobilização para reverter essa situação

Como pode ser observada, a atual direção do Banco encaminhou uma opção estrategicamente errada. Isso se constata, inclusive nas metas exigidas às unidades operacionais (focadas na área comercial) e nos resultados alcançados conforme os números: os recursos a alocar do FNO aumentaram: de R$ 508,5 milhões (em 2008) para R$ R$ 1.228,8 milhões (em 2009), ou seja, 153,5% a mais. Enquanto isso, os recursos alocados desse Fundo em 2009 foram de apenas R$ 455,7 milhões contra R$ 840,5 milhões em 2008 (menos 51,5%).

Neste dia 9 de julho em que o Banco comemora seus 68 anos, as entidades que
abaixo subscrevem, conclamam todos os empregados a retomar as grandes mobilizações para
redirecionar, defender e fortalecer o Banco da Amazônia no caminho de sua missão histórica.

Só assim, poderemos reverter a frase mais dita nestes últimos tempos de que “se trabalha muito,
mas não se vê o resultado esperado”. Só com muitas mobilizações e lutas poderemos conquistar,
já a partir dessa campanha salarial 2010, o respeito, a dignidade e melhores condições de vida e
trabalho, com o atendimento de nossas principais reivindicações.

Para poder comemorar o aniversário e sinalizar longa vida ao banco da Amazônia,
afirmamos que é preciso mudar já o rumo da instituição, fortalecendo a missão original e
ampliando a presença na região, com investimento no desenvolvimento. (Fotos de arquivo do Arte Bancária, da campanha nacional de 2009, no Banco da Amazônia).

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