A manipulação lança mão da amortização de ágio relativo à aquisição do Real, somando no período R$ 2,096 bi.
Além da redução na participação nos lucros, para os bancários brasileiros sobram demissões. O balanço do último trimestre divulgado nessa quarta-feira 28 mostra que o banco espanhol fechou 2.301 postos de trabalho entre setembro do ano passado e o mesmo mês deste ano – de 54.415 para 52.114, uma redução de 4,2%. Ao mesmo tempo, a quantidade de clientes aumentou 6,1%, de 20.609 para 21.856, o que mostra que a sobrecarga de trabalho que já era grande ficou ainda maior.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo realizou na quarta-feira, dia 28, protesto (foto) contra a decisão do Santander de publicar balanços diferentes e pagar a PLR dos trabalhadores pelo lucro mais baixo, o que reduziu sensivelmente o pagamento aos bancários.
O primeiro protesto aconteceu logo nas primeiras horas da manhã, em frente ao Centro Administrativo Santander 3 (Casa 3), em Interlagos, onde trabalham cerca de 1.500 pessoas.
No documento também foi solicitada a prorrogação dos aditivos do Santander e Real, com vencimento nesta sexta-feira, dia 30 de outubro, até a assinatura de novo instrumento coletivo. O Santander é o único banco privado que possui aditivo à convenção coletiva, construído após a privatização do Banespa, com vários avanços além das conquistas gerais dos bancários. Já o PPR representa mais uma forma de remuneração para os trabalhadores do banco.
Santander divulga outra vez dois balanços do terceiro trimestre
O Santander também anunciou na quarta-feira os resultados do terceiro trimestre de 2009. Novamente foram divulgados dois balanços, a exemplo do primeiro semestre, com dois lucros diferentes.
Um balanço apresenta lucro líquido no terceiro semestre de R$ 413,763 milhões. Segundo o banco, esse valor segue a norma contábil brasileira. Foi esse o balanço, com o resultado do primeiro semestre de R$ 1,6 bilhão, utilizado para o pagamento da antecipação da PLR, gerando protestos dos trabalhadores.
O outro balanço, conforme o banco, atende a regra internacional, IFRS, que passará a ser obrigatória por aqui apenas no próximo ano - para o resultado consolidado. Assim, pelas normas internacionais, o Santander registrou no terceiro trimestre um lucro líquido de R$ 1,472 bilhão, um crescimento de 92,1% em relação ao mesmo período de 2008. Com isso, o resultado acumulado nos primeiros nove meses do ano é de R$ 3,917 bilhões.
De acordo com o jornal Valor Econômico, as normas brasileiras e o IFRS têm formas diferentes para a apuração do lucro, mas a variação mais discrepante se dá na amortização do ágio das compras. No caso do Banco Real, essa diferença foi de R$ 979,458 milhões no terceiro trimestre. Na regra brasileira, o ágio precisa ser amortizado sistematicamente num período de dez anos.
Ainda segundo o jornal, de janeiro a setembro o banco já apropriou R$ 831 milhões em sinergias, dentro do esperado pela direção do grupo. A previsão é que até o fim do processo, em 2011, os ganhos atinjam R$ 2,7 bilhões.
"Queremos que a PLR dos bancários seja calculada sobre o lucro maior, pois foi esse balanço apresentado aos investidores no processo de abertura de capital e levou à captação de R$ 14 bilhões, na maior oferta de ações do mundo em 2009. Os trabalhadores reivindicam igualdade de tratamento", defende o diretor da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT e Seeb-SP
